segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Capítulo 7 - Amuleto


-- (Ana) --

Assim que chegamos ao quarto a Inês mandou-se logo para cima da cama.

- Eu amo ter as tardes livres! – Exclamava ela, soltando um suspiro.

- Sabe optimamente bem, principalmente antes das quartas, assim sempre dá para ensaiar para o teatro. Por falar nisso… Não viste o meu dossier onde tenho algumas falas? – Perguntei remexendo nas minhas coisas há procura dele.

- Hum… Não. Já procuras-te naquelas caixas? – Disse a Inês apontando para uns caixotes no canto do quarto.

Ainda estávamos nos primeiros dias, por isso muitas das coisas ainda não estavam nos seus lugares. O que me fazia perder um bocado. Depois de procurar em alguns caixotes finalmente encontrei. Fui-me sentar na minha cama, encostei-me há parede a decorar o texto. Passados alguns minutos, estava eu muito concentrada quando a Inês me interrompe.

- Queres ajuda?

- Hã?! Com o quê? – Perguntei confusa.

- Com isso… As falas.

- Ah, não, obrigada, não te quero maçar.

- Ai anda lá, não maças nada, eu ajudo. – Levantamo-nos as duas. Dei-lhe algumas folhas e começamos.

Era impossível parar de rir.

- Ahahah! Eu acho que tu também devias fazer a audição para a peça da escola.

- Só se entrar um bobo da corte no espectáculo. – Dizia ela a rir-se.

- Olha… Nunca se sabe.

- Está bem, está bem, então se precisarem, fala lá com o encenador. – Ironizou. Piscou-me o olho e continuamos a rir. – Vá… Agora a sério… -
Disse ela colocando uma postura séria. – Não é que precises de muito mais ensaio, porque já ficaste com o papel principal, como é óbvio, mas vá, vamos continuar para deixares todos encantados.

- Oh, que tola Inês. – Disse envergonhada.

- Realista minha cara amiga. Realista. – Entoou ela como se estivesse a dizer uma deixa o que me fez rir. – Ana… - Chamou-me antes de voltar-mos ao ensaio.

- Sim Inês…

- Hum… Passa-se algo entre ti e o Louis? – Perguntou envergonhada.

- INÊS! – Exclamei eu. – Gostas dele?!

- ACHAS?? Não… NÃO! Eu?! NÃO! Então só conheço o rapaz há 2 dias. Que disparate. Nada disso. Mas como vocês são muito ‘íntimos’ eu não sei, não quero que te chateies comigo por causa disso.

- Por causa de gostares dele?

- EU NÃO GOSTO DELE!

Não consegui aguentar mais e acabei por me perder em risos.

- Estás-te a rir do quê? – Perguntou a Inês confusa. – Não tem piada! Já viste, tu conhecesse-o há anos e depois chega aqui uma qualquer…

- Inês… O que é que aconteceu ao certo lá na arrecadação? – Interrompia, com pensamentos maliciosos.

- NADA! ANA?! – Perguntou estupefacta. Peguei numa mini almofada que tinha em cima da cama e mandei-lhe.

- Devias ter visto agora a tua cara, até mudaste de cor.

- Sua safada! – Disse atirando-me de novo com a almofada e ali começou uma mini ‘guerra’.
 
*****

 No dia seguinte, dirigi-me ao anfiteatro da escola para a minha audição: estava super nervosa e a tremer dos pés à cabeça, mas a Inês tinha conseguido animar-me e dar-me alguma coragem.

Quando cheguei, reparei que já havia imensa gente sentada; sentei-me o mais atrás possível e sozinha, enquanto respirava fundo e revia as minhas falas

- Bem-vindos! – Saudou a Mrs Darvus, entusiasmada como de costume. – Bem-vindos meus futuros actores, meus raios de Sol!

Tive de tentar não me rir daquela excitação toda.

- Hoje vamos ver quem tem realmente sangue dramático a correr pelas veias! Espero que não se esqueçam que o nosso Colégio tem sempre sido aclamado pelos jovens actores que aqui se estreiam… espero muito de vós!

Todos os alunos ali presentes aplaudiram e a Mrs Darvus foi sentar-se na primeira fila.

- Primeira audição… Katherine Charles, pode subir ao palco!

Quase tive de conter o vómito: a miúda mais mimada da escola subiu ao palco com uns saltos altos rídiculos (devo dizer que a imaginei a cair e a partir qualquer coisa) e começou a fazer… qualquer coisa. Qualquer coisa que não era de certeza uma audição. Ela era horrível.

- Muito bem, muito bem, querida. – Interrompeu a Mrs Darvus, obviamente aborrecida com aquela actuação. – Podes sair.

Ela fez uma mini vénia (a sério? Que ridícula!), sorriu e saiu do palco.

- A seguir, a seguir… - Ela parecia estar a revirar alguns papéis. – Josh Hutcherson. Pode subir.

O meu coração deu um inesperado pulo ao vê-lo subir ao palco: não acredito que me tinha esquecido que ele adorava Teatro!

Observei-o com muita atenção enquanto se preparava; ele fechou os olhos e começou.

- Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Más há também quem garanta que nem todas, só as de verão.

Reconheci imediatamente aquela passagem de ”Um Sonho de Uma Noite de Verão” de Shakespeare; continuei a ouvir atentamente.

- No fundo, isso não tem importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, a dormir ou acordado.

Ele continuou a declamar enquanto eu o ouvia, fascinada; quando terminou, todos aplaudiram e eu não pude evitar ruidosas palmas e assobios de aprovação – ele tinha arrasado completamente e ainda me sentia com pele de galinha.

- Excelente, EXCELENTE! –  A Mrs Darvus aplaudia com energia. – Muito bem! Pode descer, meu querido!.

O Josh sorriu e desceu, mas em vez de se sentar onde estava antes, mesmo lá à frente, veio sentar-se ao meu lado.

- Não me avisaste que estavas aqui – Disse ele, sorridente. – Só te vi mesmo agora, lá do palco.

- Desculpa. – Fiz uma careta – Mas estou tão nervosa que mal consigo pensar no que estou a fazer.

- Não te preocupes, aposto que vai correr lindamente.

- Não sei… - Respondi, com um embrulho no estômago. – E se me engasgar?! E se me esquecer do que vou dizer?! Ou pior, se fizer uma autêntica figura de ursa, como a Katherine fez?!

O Josh riu com vontade e eu dei-lhe um pequeno murro ao de leve no braço.

- Não estou a brincar!

- Desculpa, desculpa. – Ele parou de rir, ainda divertido – Ouve. Vais arrasar, eu sei que vais.

- Ana Jones? – Ouvi a Mrs Darvus a chamar. – Pode subir.

- Oh bolas, sou eu! – Dei um mini gritinho e saltei na minha cadeira. – Não sei se estou preparada!

- Hey, hey, calma!

Ele levou a mão ao bolso e tirou de lá uma pulseira com um pequeno sol.

- Comprei isto em criança e sempre foi o meu amuleto da sorte. – Ele pôs-mo na mão – Leva-o para o palco. Vai ajudar-te a teres mais confiança.

- Josh… - Disse eu, atrapalhada. – Eu não sei o que dizer…

- Não digas nada. – Ele piscou-me o olho. – Leva-o e parte uma perna.

Ia tentar recusar quando ouvi Mrs Darvus a chamar novamente.

- Ana Jones?

Respirei fundo e subi até ao palco; olhei para a plateia e engoli em seco – aquilo era mais difícil do que eu pensava.

- Pode começar, querida. – Disse gentilmente a professora de Teatro.

O meu primeiro pensamento foi fugir. – Mas estaria a ser uma autentica cobarde se desistisse do que gostava de fazer por ter medo. Por isso, olhei para o sol do Josh, fechei os olhos e comecei a declamar uma das minhas passagens favoritas da Julieta Capuleto.

- Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montéquio tu não fosses…

Abri os olhos lentamente e olhei em frente, tentando pôr-me no papel da apaixonada de Romeu.

- Que é Montéquio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume…

Os meus olhos passaram pelo Josh, que parecia fixado em mim.

- Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservaria a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira…

Terminei e fechei os olhos novamente, com receio de enfrentar o público.

- Foi… foi magnífico!

Abri os olhos, surpreendida, e vi a Mrs Darvus a limpar uma lágrima ao canto do olho; vi os outros colegas a aplaudirem e vi a Katherine a fulminar-me com o olhar, obviamente irritada; mas, acima de tudo, vi o Josh a aplaudir-me em pé, com entusiasmo.

Agradeci baixinho e fui sentar-me novamente.

- Por que é que estavas nervosa?! – Perguntou-me o Josh, entusiasmado. – Foste brilhante! Foste espectacular, foste incrível, foste… foste…!

Quando se apercebeu que ainda não tinha parado de falar, corou; sorri-lhe timidamente.

- Obrigada. – Respondi, tentando não parecer muito envergonhada. – As tuas palavras foram importantes… e o teu amuleto deu-me coragem.

Ele sorriu.

- Ainda bem que pude ajudar…

Ficámos a olhar um para o outro durante algum tempo até começarmos a rir baixinho, embaraçados.

- Bem, não tenho dúvida alguma de que vais entrar, Julieta. – Disse o Josh, confiante.

- Não sei. – Sorri-lhe. – Mas tu vais, de certeza.

- Então e que tal se entrarmos os dois? – Perguntou ele, divertido. – Parece-te bem?

 Sorri-lhe novamente.

- Parece-me óptimo.

E olhámos novamente para o palco, onde um rapaz fazia a sua audição.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Capítulo 6 - Conversa Imprevisivel

-- (Inês) -- 

- Não acredito! – Disse o Louis tentando abrir a porta com toda a força que tinha, mas nada aconteceu. – Não dá!

Comecei a ficar nervosa: não gostava muito de espaços pequenos.

- HEY! HEEEEEEY! – Berrei e dei alguns murros na porta, na esperança que alguém nos ouvisse.

- Esquece. – Suspirou o Louis. – Ninguém vai ter educação física nos próximos 90 minutos.

Arregalei os olhos em pânico.

- Não pode ser! Vamos perder as aulas! E se entretanto ninguém vier?! E se…!

- Calma, rapariga! – O Louis pousou as mãos nos meus ombros, fazendo-me acalmar. – Não te passes, está bem? Temos só de… pensar em alguma maneira de passar o tempo.

Suspirei, tentando-me acalmar.

- Ok, tudo bem… o que sugeres?

Ele sorriu e sentou-se no chão, encostado a uma parede.

- Fala-me um pouco de ti.

- De mim? – Perguntei-lhe, admirada.

- Sim. – Ele deu uma palmada no chão. – Senta-te aqui.

Atrapalhada, acabei por me sentar ao seu lado.

- O que queres saber? – Perguntei, genuinamente curiosa.

- Não sei… – Ele encolheu os ombros. – O que quer que te venha à cabeça.

Foram precisos poucos segundos para a frase me sair pelos lábios.

- Odeio este colégio…

Ele olhou-me, admirado.

- A sério?

Acenei ligeiramente – Quer dizer, provavelmente pareço uma idiota. Qualquer pessoa mataria por estar aqui, em Crestwood… Mas… os meus amigos… os meus amigos de sempre, do meu bairro… Bem, estão todos juntos numa escola super normal e… - Suspirei. – Era só isso que eu queria. 
Estar numa escola normal rodeada dos meus amigos.

Ele ficou em silêncio durante algum tempo.

- Também tens amigos aqui.

Olhei para ele, admirada.

- Sei que nos conhecemos há pouco tempo mas… – Ele sorriu. – Gosto de ti…

Senti as minhas bochechas a arderem.

- Assim como a Ana e o Josh. – Continuou ele. – Por isso, não estás sozinha. Está bem? – Ele deu-me uma cotovelada e eu ri-me.

- Está bem. Obrigada, Lou.

- Lou… - Ele ficou pensativo e depois sorriu. – Gosto!

Sorri-lhe novamente.

- Então e tu? Gostas do colégio?   

Ele acenou.

- Sim, até gosto. Claro que tem os seus defeitos: snobs, uma directora detestável e portas velhas que trancam alunos em arrecadações. – Rimo-nos os dois. – Mas sim, até gosto. 

- Gostava de ter essa tua visão. – Fiz uma careta.

- Bem, talvez algum dia venhas a ter. – Sorriu-me. – Mas também não foi nada fácil vir para o colégio. Custou-me imenso deixar as minhas irmãs…

Tive de impedir um pequeno “aww” de sair dos meus lábios.

- Isso é mesmo querido… – Consegui dizer-lhe, completamente derretida-

Ele riu-se.

- Obrigado, acho eu… Mas tenho que dizer que tive sorte. Quer dizer, a Ana ajudou-me imenso nessa fase pior… - Ele sorriu. – Sempre estivemos lá um para o outro, entendes? Desde pequenos.

Nesse instante, senti um estranho embrulho no estômago, não sei bem porquê.

- Ah… a Ana… pois… – Foi a única coisa que consegui dizer.

- Ela é que nos podia vir safar desta alhada agora. – Riu-se o Louis, bem disposto. – Seria a minha heroína.

- Louis? – Ouvimos os dois ao mesmo tempo.

- Espera… - Comecei eu – Acabámos de ouvir a…?

- E Inês?! – Perguntou, admirada, a Ana – Então era aí que vocês estavam!

Levantámo-nos os dois rapidamente.

- Ficámos aqui trancados. – Disse o Louis para o outro lado. – Tens que ir pedir ajuda, não consegues abrir a porta sozinha.

- É para isso que aqui estou. – Ouvimos outra voz mais grossa falar.

- Josh! – Suspirei de alívio – Vá, tirem-nos daqui!

Após um bom esforço conjunto do Josh e do Louis, a porta foi aberta com sucesso.

- LIBERDADE! – Berrei, saltando cá para fora.

A Ana riu-se, divertida.

- Estávamos à vossa espera há um bom bocado! Como é que ficaram ali presos?

- Fomos arrumar as coisas porque o stor pediu… – Começou o Louis.

- … Foi logo difícil abrir a porta: tentámos abri-la, conseguimos, mas fechou-se quando já lá estávamos dentro. – Terminei eu.

O Josh e a Ana trocaram um olhar cúmplice e um sorrisinho divertido.

- Certo… – Disseram os dois ao mesmo tempo.

Franzi o sobrolho, desconfiada.

- Então e vocês? O que é que estão a fazer tão juntinhos?

Tive de conter o riso quando vi os dois a gaguejar.

- J-Juntinhos? – Perguntou a Ana.

- J-Juntinhos como? – Perguntou o Josh.

Foi a minha vez de rir, juntamente com o Lou.

- Fiquem sabendo… – A Ana revirou os olhos, tentando esconder a sua vergonha. – … que eu, como boa colega que sou, estava à espera da Inês…

-- (Ana) --

- Pois... Pois… Mas vamos para as aulas ou vamos ficar o resto da manhã aqui na conversa? Daqui a nada está a tocar! – Insinuou a Inês. Ficamos todos estáticos a olhar para ela. – Que foi? – Perguntou admirada com as nossas reacções.

- Inês… Acho que passas-te tempo a mais na arrecadação. – Avisei-a ainda espantada.

- Hã?! Porque é que estás a dizer isso? – Perguntou confusa.

- Tu é que estás sempre a reclamar das aulas, e agora és a 1ª a dizer que está na hora. Não te entendo. – Voltei-me para o Louis. – Que lhe fizeste lá dentro? 

- EU?! Eu… Nada! – Senti-o a ficar atrapalhado e envergonhado, o que me fez desmanchar a rir.

- Ana é a sério, acho que devíamos ir. – Disse a Inês muito sério, parecia um pouco perturbada, mas não percebi porquê. – Adeus rapazes, vemo-nos por aí. – Despediu-se, começando a caminhar para a zona feminina.

- Bem, sendo assim, também vou indo. Até já meninos. – Disse.

- Annie… - Chamou-me o Louis. Só ele é que me chamava aquele nome, era tipo a sua alcunha ‘carinhosa’ para mim. - … Vê se ela fica bem. – Pediu-me preocupado.

- Claro. – Sorri-lhe, piscando-lhe o olho. – Adeus Josh. – Acenei-lhe com a mão, ele fez o mesmo e sorriu. Tentei acelerar um pouco o passo para alcançar a Inês. Percorríamos a entrada do colégio lado a lado com alguma velocidade. – Inês! O que é que se passa?

- Nada. Eu só não quero chegar tarde.

Dito isto estávamos já muito perto da sala, já todos os nossos colegas estavam a entrar, fizemos o mesmo. A aula demorou a passar, mas finalmente acabada, saímos. Estava na hora de almoço consegui avistar a Inês já ao fundo do corredor em direcção ao refeitório, apressei-me para a alcançar.

- INÊS! – Gritei. – O que é que se passa rapariga? Estás chateada comigo? – Perguntei preocupada.

- Não! Foi só … - Ela evitou o que estava prestes a dizer. 

- Podes falar, sabes disso?

- Sim, mas é que não é nada, eu só estava com pressa para ir para a aula. Não queria chegar tarde.

- Eu já percebi isso, só ainda não percebi porquê?

- É que… Eu já passei muito tempo na directoria. – Ela baixou a cabeça. – Não quero voltar a esses tempos.

- Oh, desculpa, eu não sabia. Mas já podias ter falado sobre isso. Porque não disseste logo?

- Eu não quis que tu pensasses que eu era uma espécie de rufia ou assim. – Ambas rimos.

- Que tolice. – Pus o meu braço há volta do seu ombro e entramos no refeitório. – Para a próxima, já sabes que podes falar.

Cada uma pegou nos tabuleiros, e fomos buscar a comida, quando aparecem o Josh e o Louis atrás de nós.

- Já falaste com ela? O que é que aconteceu? É comigo que ela está chateada? – Sussurrou-me o Louis atrás de mim, na fila para o almoço.

- Ele não se calou a aula toda. – Comentou o Josh, divertido. – Salva-me!

Ri-me do Josh e voltei-me para o Louis.

- Já Romeu. E não, não é. Não te preocupes.

- Cala-te! Não digas disparates Ana. Pensei que era, sabes que gosto de estar bem com toda a gente…

- Hum Hum… - Dissemos eu e o Josh, com sorrrisos maliciosos.

Já estávamos servidos, pegamos nos tabuleiros, quando nos íamos a sentar e o Josh e o Louis foram chamados por um grupo de rapazes, seus colegas, que estavam numa mesa um pouco mais distante.

- Vocês importam-se… ? – Perguntou o Louis.

- Não, Claro que não. Vão lá. – Disse.

- Adeus. Bom almoço. – Disseram.

Depois de os rapazes se terem juntado, eu e a Inês ficamos a almoçar e depois de terminado o almoço, fomos arrumar os tabuleiros e dirigimo-nos ao quarto, para descansar.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Capítulo 5 - Desatinos com o Equipamento


-- (Inês) --


Dirigia-me para os balneários, enquanto ia há conversa com a Ana, mas somos interrompidas quando ouço chamarem pelo meu nome. Voltei-me de costas e tinha o professor a acenar-me. 


- O que será que ele quer? – Perguntei intimidada, há Ana. 


- Hum… Não sei. Mas não deve ser nada de mal. Boa sorte amiga.


- Obrigada. Já lá vou ter contigo aos balneários. – Disse-lhe. Notei que ambas ainda tínhamos os coletes postos. – Hey! Ana! O colete! – Avisei-a.


- Há sim. Que tola. Toma. – Disse retirando-o e dando-me para as mãos. – Leva-o ao stôr. 


- Ok. – Respondi-lhe vendo-a ir em direcção dos balneários. Direccionei-me ao professor. – Está tudo bem professor? – Perguntei.


- Está. Eu é que estive a reparar no seu jogo hoje, e tenho umas palavrinhas para lhe dar. – Baixei a cabeça com medo do que pudesse ouvir. O professor mantinha um ar muito sério, o que me intimidava ainda mais. – Muitos parabéns. – Sorriu. Fiquei confusa. – Já pensou em prestar provas para a equipa feminina da escola?


- Já sim. Mas nunca achei que tivesse a altura da equipa. – Disse insegura.


- Eu acho que tem grandes hipóteses. Pelo que demonstrou hoje em aula, vejo que tem grandes qualidades, devia apostar nelas. – Corei. 


- Muito obrigada professor.


- Então isso quer dizer que posso contar consigo nas provas de amanhã?


Assenti afirmativamente com a cabeça e esbocei um enorme sorriso.


- Então até amanha menina Davis. E boa sorte.


- Até amanhã. E mais uma vez obrigada. – Agradeci-lhe e comecei a caminhar para os balneários, toda orgulhosa. 


- Bem meninos, por hoje é tudo. Para a próxima aula é futebol, temos de começar a preparar para o interescolar. – Avisou o professor aos rapazes. – Agora podem ir tomar duche. – Os rapazes encaminhavam-se todos para os balneários. – Louis! – Chamou o professor. – Importa-se de ficar mais um pouco para arrumar os materiais? É que ainda tenho de ir á sala dos professores, …


- … Claro que não. – Disse prontamente. 


- Obrigada. Boa aula hoje. – Sorriu-lhe o professor, já a sair do pavilhão.


Eu que já estava a entrar nos balneários reparei que ainda estava com os coletes. “Sempre a mesma distraída”- Pensei. Voltei para trás para os entregar ao professor, mas este já não se encontrava no pavilhão. Percorri os meus olhos pelo recinto quando detecto uma pessoa. Olhei melhor e pude reparar que era o Louis. Acelerei o paço até chegar perto dele. 


- Inês? Que fazes aqui? – Perguntou-me.


- Isso pergunto eu.


- O stôr pediu-me para ficar a arrumar os materiais, e tu? Qual é a tua desculpa?


Levantei os coletes que tinha na mão e fiz uma careta.


- Por acaso não sabes onde os posso deixar, não?


- Sim. É ali. – Apontou para uma entreaberta a um canto do pavilhão.


- Hum… Obrigada. – Virei costas, ia começar a andar mas deixei-me parada, e voltando-me novamente para ele. – Precisas de ajuda? – Ofereci-me.


- Só se não te importares.


- Claro que não. Somos dois fazemos isto mais rápido. – Sorri-lhe, e comecei a pegar em alguns pinos que estavam a marcar o campo. – Acho que está tudo… - Disse olhando para o espaço.


- Sim, agora é só levar o que falta para dentro e está tudo. – Pegamos nos restantes materiais e carregamo-los para a salinha de arrumações. 


- Esta porta está a precisar de óleo. – Queixou-se o Louis, enquanto tentava abrir um pouco mais a porta da mini arrecadação.


- Realmente, não entendo… – Disse eu, revirando os olhos. – A directora passa horas e horas a gabar-se da escola, mas não trata desta porta!


O Louis riu-se.


- Também não gostas da directora?


- Mas alguém gosta?! – Perguntei, arregalando os olhos.


- Bem pensado! – Ele riu-se e conseguiu finalmente arrastar a porta. – É melhor pôr algo aqui para segurá-la.


Entrei rapidamente na salinha e agarrei numa caixa de madeira vazia.


- Isto serve? – Perguntei, mostrando-lhe a caixa.


- Perfeitamente. – Ele sorriu e encostou-a à porta. – Pronto. Passa-me os pinos, por favor.


Estávamos os dois mesmo a acabar de arrumar quando ouvimos um estalo.


- O que foi isto? – Perguntei.


Não tive tempo de saber a resposta, porque a porta fechou-se com uma rapidez incrível, partindo um pouco da caixa de madeira e trancando-nos a nós naquela arrecadação pequena e pouco iluminada.


O Louis abriu a luz rapidamente; parecia mesmo irritado.


-- (Ana) --


Já estava desequipada, com o duche tomado e a farda vestida, e ainda nem sinal da Inês. Visto que ela ainda iria demorar um pouco decidi ir despachar-me e fui até ao meu cacifo buscar os livros das aulas seguintes. Peguei nos livros, olhei em volta e ainda sem avistar a Inês. Comecei a ficar preocupada, mas o pouco que já conhecia dela provavelmente estava a pastelar de baixo do duche. Decidi então voltar aos balneários, mas ela não lá estava. ‘Estranho’ – Pensei. Ia a sair do pavilhão desportivo quando ouço o meu nome.


- Ana! – Chamou-me uma voz familiar. Voltei-me para o sítio de onde vinha o som e pude notar que era o Josh. Parecia exausto. 


- Josh. Está tudo bem? 


- Sim está. Mas diz-me só que viste o Louis? Já percorri a escola toda há procura dele e não o encontro. 


- A sério? Que estranho. É que se está a passar exactamente o mesmo comigo em relação há Inês.  


- Wuou, jura?! – Ele estava tão espantado com aquela situação quanto eu.


- Sim. Eu combinei com ela nos balneários, mas ela nunca mais apareceu. E no Pavilhão também já não está.


- Pois. Foi como eu e o Louis. 


- E agora? Espero que não lhes tenha acontecido nada. – Disse receosa.


- Eles estão bem. Tenho a certeza. – Tranquilizou o Josh, dando um sorriso sincero, que me deixou mais descansada. – Vamos procura-los. – Disse, pegando-me na mão puxando-me com ele.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Capítulo 4 - Desatinos em Campo














-- (Ana) --


- Finalmente! – Exclamou a Inês, entusiasmada. – Finalmente temos aula de Educação Física! Não percebo por que só temos às terças e às quintas!


- Não percebo é como estás tão desperta à primeira hora da manhã. – Bocejei, cheia de sono. 


- Educação física é diferente. – Os seus olhos quase brilhavam, o que me dava vontade de rir.


- Tudo bem! – Sorri e apertei o meu cabelo num rabo-de-cavalo rápido; Já ambas tínhamos vestido o equipamento de educação física da escola, com o emblema de Crestwood na t-shirt branca e nos calções azuis-escuros que todos os alunos do Colégio tinham de usar.


- Foi das únicas coisas que tive saudades nas férias! Vou poder finalmente matar saudades.


Ia responder à Inês quando vimos quem tinha entrado nos balneários: a Rebecca e a Katherine.


- Vamos andando para o pavilhão… – Disse a Inês, com um tom de gozo. – … O ar acabou de ficar infectado!


Rimo-nos, guardámos as nossas coisas nos cacifos e fomos até ao pavilhão: os rapazes já estavam a correr 


- Olha o Louis! – Apontou a Inês prontamente. – Uau. Ele corre mesmo muito!


Tive de tentar não me rir.


- Alguém está caidinha… - Disse eu, num tom baixinho.


- O quê? – Perguntou ela, não ouvindo o meu comentário .


- Nada, nada! – Respondi, bem-disposta, não a deixando convencida.


- Muito bom dia meninas! – Disse o nosso professor; Ele era excelente e tentava sempre ajudar-nos mas era super exigente. – Juntem-se à minha volta por favor!


Fizemos o que ele disse e ele começou a contar-nos.


- Muito bem! Doze raparigas vão jogar futebol e as restantes vão para o campo de volley. – O professor olhou para todas nós. – Inês e Rebecca, venham para aqui e escolham as vossas equipas.


- Katherine, claro! – Escolheu prontamente a Rebecca, num tom irritante.


- Ana! – Disse imediatamente a seguir a Inês.


- Espero que saibas que eu não jogo nada de jeito. – Murmurei-lhe, depois de me juntar a ela. 


- Não te preocupes, comigo a ajudar-te ficas pro! – Ela olhou para a outra equipa, constituída pela Rebecca, pela Katherine e por outras snobs. – Vamos dar cabo delas!


Após as equipas estarem escolhidas, o professor foi buscar os coletes; Estava já a começar a stressar com a ideia de não conseguir ajudar a minha equipa a marcar quando uma bola de basketball parou aos meus pés. Baixei-me para a apanhar e quando me levantei tinha o Josh à minha frente.


- Olá. – Ele sorriu-me e eu senti-me corar ligeiramente.


- Olá. – Respondi-lhe eu; bolas ele ficava mesmo giro com aquele equipamento…! 


Ficámos a olhar um para o outro, algo atrapalhados e em silêncio.


- Obrigado por apanhares a bola. – Disse-me ele, passado um bocado.


 - Oh! – Que parva; Continuava com a bola na mão. – De nada. Toma.


Ele agarrou-a e sorriu-me .


- Futebol?


- Sim. – Fiz uma careta. – Vou tentar não tropeçar.


- Aposto que vais jogar optimamente. – Ele continuava a sorrir e quanto mais ele sorria, mais eu sentia as minhas bochechas a queimar.


- HEY, JOSH! – Ouvi a voz do Louis no campo de basketball. – ANDA LÁ, MEU!


- Tenho que ir. – Ele passou a mão pelo cabelo. – Boa sorte.


- Pois. Para ti também.


Ele piscou-me o olho e voltou para o seu jogo.


- Com que então… tu e o Josh – Olhei para Inês, que me olhava com malícia.


-- (Inês) --


O professor apitou para nos chamar a atenção já com os coletes na mão. Começou a distribui-los pela nossa equipa, colocamo-los e depois dele pôr a bola no centro, e de já se estar decidido que era a equipa adversária que iria começar, visto que tínhamos sido nós a escolher o campo, ele apitou. 


- Olha lá! Aquele ali é novo… - Comentava a Katherine, apreciando o Josh, com a Rebecca.


 Eu estava a ver que o jogo nunca mais começava, por causa daquelas duas, fui a correr, com fúria até há bola, levantei-a com o meu pé direito e mandei um chuto que foi acertar directamente na Rebecca. 


- Conversar é lá fora! – Gritei-lhes impaciente. Consegui ouvir um pequeno riso dado pela Ana.


- Qual é a tua miúda? – Veio a Rebecca, com a bola na mão, toda raivosinha na minha direcção.


- Primeiro a miúda tem nome, segundo estamos aqui para fazer futebol, se querem fofocar vieram ter ao sítio errado. 


- Tu por acaso sabes quem nós somos? – Intrometeu-se a Katherine, toda nariz empinado.


- Sim! Por acaso até sei. São alunas deste colégio, tal como eu. Estamos num pavilhão de educação-física, equipadas, ao que tudo indica que devíamos estar a jogar, agora se fazem favor… - Voltei a pegar na bola e encostei-a há barriga da Rebecca. - … Há quem queira jogar.


O professor que se tinha distraído por uns momentos com o jogo de basquete dos rapazes, voltou-se agora para nós, notando que ainda não tínhamos começado. Voltou a apitar.


- Então meninas? – Disse erguendo os braços.


- Estamos a começar. – Refilou a Rebecca toda enjoadinha. Colocou a bola no chão, esperou novamente o apito do professor, e assim que ele apitou, ela passou a bola a Katherine e começou o jogo.


Eu estava muito irritada. Eu nem acredito que tinha acabado de perder minutos preciosos da melhor disciplina do mundo, e tudo por causa daquelas duas mimadas. Comecei a correr até há bola, tirando-a dos pés da Katherine, ia a fintar a Rebecca quando esta me coloca o pé há frente. 
O professor apitou marcando falta. Rapidamente me levantei e olhei-a furiosa.


- Estamos a jogar futebol, não é rugby! - Ela revirou os olhos. Segui jogo.


Continuei a correr, passei a bola há Ana que logo se viu muito atrapalhada, e sem saber o que fazer, simplesmente mandou um chuto na bola, mandando-a para fora. Levei as mãos há cara.


- Ana… Eu estava livre! – Avisei-a.


- Eu sei desculpa, mas…


- Perdemos uma óptima oportunidade de golo por tua causa. – Interrompia, super chateada, culpando-a do insucesso da equipa.


- Inês eu sei, e eu avisei-te que não era boa nisto, desculpa ok?! – Quase me gritou. Arregalei os olhos. E logo caí em mim.


- Aichh… Desculpa Ana. Não devia ter falado assim contigo, eu levo isto demasiado a sério. Desculpa, eu sei que fizeste o que podias. Para a próxima corre melhor. – Pisquei-lhe o olho incentivando-a, voltando para o jogo.


- Pois levas, tens de ver se te acalmas. – Seguiu-me até ao nosso campo. – E agora vamos lá dar cabo delas! – Disse-me a Ana, animando-me.


A bola que a Ana tinha chutado, tinha saído pelas linhas finais, por isso era pontapé de baliza para elas. A “guarda-redes” estava a colocar a bola em campo. Vejo-a (a bola) vir na minha direcção, dominei-a com o peito, deixando-a deslizar por mim até aos pés, corri até há baliza adversária, vi uma oportunidade de golo e chutei. Chutei de tal modo que fiz intimidar a “guarda-redes” da outra equipa, uma menina género Katherine&Rebecca, acabando assim, por fazer golo. Fui a correr para a Ana que me esperava de braços abertos e felizes festejávamos, deixando as meninas da outra equipa toda amuadas. Feitos os “festejos” o professor volta a apitar e chamou-nos para junto dele. 


- Muito bem meninas, por hoje foi tudo, mas quero ver-vos com mais garra na próxima aula. Agora podem ir desequipar-se.

domingo, 20 de maio de 2012

Capítulo 3 - Primeiro dia (Parte III)

-- (Inês) --

- Inês. Vamos almoçar. – Tocou-me a Ana visto que eu estava ensonada.

- ESTAVA A VER QUE NÃO! ALMOÇO! Duas aulas de seca seguidas, devia ser PROIBIDO.

- Que tola. 

- É verdade, agora nem vou comer da mesma maneira, estou cheia de sono.

- Oh cala-te, e vamos mas é para o refeitório. 

Direccionamo-nos até ao enorme refeitório onde todos os alunos (rapazes e raparigas) iam almoçar.

- Ali está o Louis. – Avisou-me a Ana. - Ei Louis! Aqui! – Acenou-lhe. Ele vinha acompanhado por alguém que eu desconhecia.

- Meninas, este é o meu novo colega Josh. Foi transferido há pouco da América. 

- Ah… Agora já percebi o porquê do sotaque engraçado. – Disse a Ana sorrindo envergonhada.

- Mas vocês conhecem-se? – Intrigou-se o Louis.

- Sim, eu não te disse que hoje de manhã uma rapariga me tinha ajudado? – Explicou o Josh.

- Ah sim, pois foi, já nem me lembrava. Mas podemos contar isto melhor enquanto comemos? Estou a morrer de fome.

- AH SIM FINALMENTE! – Disse eu. Os 3 começaram-se a rir. – De que é que se estão a rir? – Corei.

- Pensei que não falasses. – Disse o Louis.

- Aqui a menina Inês deve estar muito cansada de tanto trabalhar nas aulas hoje. – Ironizou a Ana. – E com trabalho quero dizer dormir. – Riu-se.

- A sério? – Perguntou o Louis.

- Eu odeio Matemática e História, nem sei para que é que tenho isso, sinceramente. – Resmungava eu. – Mas já podemos ir comer?

- Sim vamos. – Disseram em coro.

Pegamos nos tabuleiros, depois na comida, e escolhemos uns lugares, sentamo-nos e começamos a comer enquanto nos íamos conhecendo melhor.

- Vamos jogar um jogo? – Sugeriu o Louis, com a boca cheia de spaghetti bolognese. (hey, não se esqueçam que estamos num colégio interno!)

- Credo Louis, vai aprender a comer! –Disse a Ana, a rir-se. – Estás todo sujo.

Realmente, estava mesmo. Mas parecia muito fofo, quase como uma criança pequena.

- Cala-te, a Inês também está um pouco suja, mas não lhe dizes nada!

Arregalei imediatamente os olhos: o caraças do esparguete à bolonhesa fazia-me sempre isto!

- Estou? – Perguntei-lhe, tentando parecer pouco embaraçada – Onde?

- Aqui! – Ele pegou no seu guardanapo e limpou-me na zona do queixo. – Pronto, já está.

Claro que corei que nem um tomate. Por sorte, o Josh veio em meu auxílio.

- De que jogo estavas a falar? – Perguntou ele, curioso.

- Preparados? – Perguntou o Louis, num tom engraçado. – O Jogo da Maçã!

- O Jogo da Maçã? – Perguntei eu e o Josh ao mesmo tempo.

- O Jogo da Maçã? – Queixou-se a Ana. – Louis, já não estamos na primária.

- O que é o Jogo da Maçã? – Voltei a perguntar, interessada.

- É um jogo que fazíamos na primária. – Explicou o Louis, pegando na maçã que estava no seu tabuleiro. – Tu passas a maçã à pessoa a quem queres fazer uma pergunta. Foi assim que eu e a Ana nos conhecemos.

- Por que não podemos simplesmente ter uma conversa normal como…

A Ana foi interrompida pelo Josh, que lhe atirou a maçã do seu tabuleiro.

- Banda favorita?

Tive de conter o riso quando vi a cara de admirada e envergonhada dela.

- Florence + The Machine – Ela lançou-me a maçã. – Clube de futebol?

- Chelsea – Disse eu, agarrando-a.

O Louis fez-me uma careta.

- Deixa-me adivinhar… – Ri-me, bem-disposta. – Manchester United?

- Podes crer! – Disse ele, com um tom de orgulho.

- Buuuuuuuu – Disse eu, ainda a rir-me. – Quando arranjarem alguém melhor que o Torres, liguem-me!

- Nem sequer me faças falar do vosso treinador! – Provocou o Louis, divertido.

Mandei-lhe a língua de fora e passei a maçã ao Josh.

- Hobbies?

- Basquetebol, surf e teatro. – Ele sorriu e eu vi os olhinhos da Ana brilharem com aquela pequena revelação.

- Gostas de teatro? – Perguntou, a sorrir. 

- Sim. Tu também?

- Adoro! – Respondeu entusiasmada. – Quero ir à audição para o Clube de Teatro cá do Colégio.

- Também eu! – Ele estava tao entusiasmado como ela. – Começam daqui a duas semanas não é?

E o Jogo da Maçã foi completamente esquecido por aqueles dois, que falavam animadamente dos seus projectos para o ano escolar.

- Ouvi dizer que vais ser Capitão da equipa de futebol. – Disse eu, tentando começar uma conversa com o Louis, visto que estávamos ambos calados a olhar para a Ana e o Josh.

- Ainda tenho que ver. – Ele fez um bonito sorriso. – Mas espero ser. Gostas de futebol?

- Muito mesmo. E não estou a falar apenas de torcer pelo Chelsea e esperar que o Manchester perca todos os jogos. – Rimo-nos os dois. – Também gosto de jogar.

- A sério? – Perguntou ele, interessado. – Mas não fazes parte da equipa feminina, pois não?

- Nunca achei que fosse boa o suficiente. – Disse, encolhendo os ombros. – Mas sinto que este ano vou conseguir.

- Muito bem. – Comentou o Louis, impressionado. – Vemo-nos no campo, novata. 

- Ah! – Abri a boca fingindo espanto, tentando não rir. – Ainda te estou para ver a jogar, cá para mim és daqueles que é só garganta.  

- Combinado. – Disse ele esticando a mão para fazermos um “aperto”. Dei-lhe a minha, e ele puxou-me para ele. – Já viste aqueles dois? – 
Sussurrou comentando sobre a Ana e o Josh que falavam muito íntimos e divertidos.  

- Hum… Hum... – Disse eu com um riso atrevido. – Se fossemos embora aposto que nem davam por nós.

- Mas é que é mesmo. 

- O que é que vocês estão para aí a segredar? – Perguntou-nos a Ana desconfiada.

Eu e o Louis afastamo-nos.

- Nada… Nada… - Dissemos os dois.

- Hum… Bem eu acho melhor irmos andando, que não tarda está a tocar.

- Seca… - Revirei os olhos.

- Tem de ser Inês. – Disse a Ana, levantando-me. – Bem rapazes adorei esta hora de almoço. Foi um prazer conhecer-te, Josh. 

- Eu é que digo isso. – Sorriu ele, com um olhar hipnotizado.

- Inês, vemo-nos no campo. – Disse-me o Louis. 

- Vai-te preparando. – Piquei-o.

- Adeus. – Disseram eles.

- Adeus. – Despedimo-nos também eu e a Ana. Cada um seguiu seu caminho, eu e a Ana voltamos para o lado das raparigas e eles para os dos rapazes, para a 1ª tarde de aulas.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Capítulo 2 - Primeiro dia (Parte II)


-- (Ana) --


No final da aula de francês, já sabia bastante acerca da Inês: as suas cores preferidas eram o laranja e o vermelho, delirava com gelado de morango e de manga e era louca pelo Johnny Depp. Ela era super descontraída e divertida, qualidades algo difíceis de encontrar nos colegas quando somos alunos de um Colégio Interno tão fino como Crestwood. Perguntei-me mentalmente como é que ainda não nos conhecíamos e tive pena de só a ter conhecido agora.


- Nunca te tinha visto antes. – Comentou ela, ao sairmos para o intervalo. – Mas sou tão distraída que é normal…


- Eu também não me lembro de alguma vez te ter visto. Eu só ando com o Louis e ocasionalmente com uma ou outra colega. 


- Louis, o rapaz que aqui estava ainda há bocado? – Perguntou, interessada.


- Sim, esse mesmo. – Confirmei. – Conheço-o há imenso tempo e passo todo o tempo que possa com ele.


- Mesmo assim é pouco. Almoço e educação física passam a correr, não é?


- Pois é. – Sorri jocosamente. – Por isso é que nos escapamos e vamos até ao bosque de vez em quando!


A Inês arregalou os olhos e depois suspirou ligeiramente.


- Que romântico…


Fiz uma careta. 


- Acredita, eu e o Louis de romântico não temos nada. Ele é tipo o meu irmão mais novo, mesmo sendo mais velho.


- É bastante simpático. – A Inês sorriu. – Não é costume nos rapazes cá do Colégio.


- Sim, simpático é. E algo louco, também, para vir até aqui tantas vezes. – Sorri. – Este ano vai ser candidato a capitão da equipa de futebol e não se calou com isso todo o verão.


- Futebol! – Exclamou a Inês, entusiasmada. – Adoro futebol! Quero entrar para a equipa feminina este ano.


- Boa sorte com isso então! – Desejei sinceramente. – Desporto não é muito comigo. Mas quero ir à audição para o Clube de Teatro.


- Uau, uma actriz! – Ela piscou-me o olho. – Très bien, três bien!


Suspirei.


- Gostava… mas há tanta gente boa… nem sei se consigo entrar…


- Vais ver que consegues! – Animou-me a Inês, sorrindo – E quando chegares a Hollywood pede um autógrafo ao Johnny por mim, está bem?   


Estávamos a rir quando acidentalmente choquei com alguém. Era das miúdas mais odiosas do Colégio. A filha da directora, Katherine e a sua amiga siamesa Rebecca. Duas amigas inseparáveis, metidas, convencidas e maquiavélicas. 


- Vê lá por onde é que andas. – Disse-me a Katherine com a sua voz aguda e irritante.


 - Desculpa lá se não tens QI suficiente para te conseguires desviar. – Disse-lhe toda enraivecida. 


Ela ergueu a sobrancelha esquerda.


- Estás a falar comigo miúda? – Questionou passando todo o seu olhar “intimidador” por mim.


- Miúda o c…. – Ia para me atirar a ela, mas a Inês puxou-me pelo braço, afastando-me dali.


- Estás doida Ana?! Estavas prestes a assinar a tua sentença de morte! – Avisou-me ela.


- Ai o quanto eu odeio aquela criatura. Grrrr…. – Dizia furiosa. – Se tu não me agarrasses eu ia-me ao bicho.


A Inês ria-se.


- Isso sei eu que ias. Mas não esquecendo que é a filha da directora, e sendo o 1º dia de aulas e começares já na directoria por agressão há menina protegida do colégio, eu acho que não seria a melhor maneira de começar o ano.


- Sim tens razão. Obrigada. Mas eu não suporto aquelas tipas!


- Eu também não. Mas á que saber ignorar.  


Continuamos a caminhar, íamos na conversa até a Inês se lembrar que tinha os livros trocados de todo o dia, aproveitou o intervalo e foi no instante buscar os livros. Enquanto lhe acenava em andamento fui novamente vou contra alguém.


- OUTRA VEZ! – Gritei chateada. Assim que vi que era um rapaz fiquei super envergonhada e pedi desculpas. – Ai Desculpa. Que desastrada que eu sou. Não te vi, desculpa. – Abaixei-me e ajudei-o a apanhar uns papéis que tinham caído. 


O rapaz sorriu.


- Não faz mal. – Disse ele com um sotaque Americano.


- Ihih. Tens um sotaque engraçado. És novo por cá não és?


- Sim, é o meu 1º dia, nota-se assim tanto? – Perguntou-me envergonhado.


- Um pouco. Porque estás na zona das raparigas. – Ambos começamos a rir. – Já agora, sou a Ana e já ando aqui há 4 anos, por isso o que precisares saber eu posso ajudar. – Voluntariei-me simpaticamente. 


- Obrigado, é muito simpático da tua parte. Eu sou o Josh. – Estendeu-me o seu braço para me cumprimentar. – Cheguei hoje, e ando aqui meio perdido. Sabes-me dizer onde fica o pavilhão de biologia? – Perguntou-me com uma planta da escola e um horário nas mãos.


- Sei sim. – Sorri-lhe. – Antes de mais, tens de chegar há parte masculina. Despois de lá chegares, é mais fácil, é só atravessares um enorme corredor, e deves andar uns quantos metros, … - Continuei-lhe a dar a indicação. - … Percebeste?


- Acho que sim. Obrigado.


- De nada. Espero ter ajudado. E agora é melhor ires andando que ainda tens um longo caminho até há tua zona.


- Sim, muito. É melhor então. Mais uma vez obrigado.


- Sempre às ordens. – Disse vendo afastar-se.


-- (Inês) --


- Quem era? – Perguntei curiosa aparecendo-lhe por trás.


- Que susto! Já estás a pegar a mania do Louis ou quê? – Suspirou para aliviar do susto e ainda encantada com o novo rapaz.


- Oh, desculpa. Mas diz lá, quem era?


- Oh era um rapaz novo, andava perdido.


- Sim… perdido… sei. – Sorri maliciosamente.


- É sério, ele não era de cá. – Respondeu envergonhada.


- Hum… Ok. Vamos? – Perguntei-lhe.


- Sim sim.


Fomos a falar e a rir (escolhi não gozar com ela, visto que rapazes giros são a fraqueza de qualquer rapariga!) até à sala onde íamos ter História.


- História. – Resmunguei eu, antes de entrarmos na sala. – Que secaaaaaaaaaaaaa! Alguém que me salve!


- Não é assim tão mau. – Afirmou a Ana. – Eu até gosto.


Olhei para ela como se fosse um E.T.


- Como é possível ALGUÉM gostar de História?!


- Exagerada. – Ela mandou-me a língua de fora e eu ri.


- E já estou cheia de fome. – Queixei-me. – Nunca mais vem o almoço?!


- Já só falta História e Matemática. Depois lá teremos de aturar o Louis. Se quiseres almoçar connosco, claro.


Sorri discretamente, chegando à conclusão de que não me importaria nadinha de aturar o Louis.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Capítulo 1 - Primeiro Dia (Parte I)

-- (Inês) --

Estava de regresso há escola, depois de um longo e saboroso Verão. Um Verão que eu como todos os outros, eu não queria que tivesse fim. Eu adorava estar com a minha família, e aquela escola privava-me imenso dessa alegria, pois só podíamos sair em fins-de-semana e nas férias. Assim que os meus pais me deixaram na escola, despedimo-nos com um forte abraço, como sempre fazíamos, peguei nas malas e dirigi-me ao meu quarto para me instalar. Percorria eu o corredor e quanto mais me aproximava da minha porta mais barulho ouvia. Estranhei, pois às vezes parecia que a escola não tinha habitantes, ou qualquer tipo de existência de vida. Assim que cheguei há porta estava tudo sujo de pó e estavam lá uns homens com umas roupas estranhas e muitas ferramentas. 

- Há, senhorita Davis, ainda bem que apareceu. – Falou-me a directora aparecendo nas minhas costas. 

Voltei-me para ela.

- O que é que está a acontecer ao meu quar…

- … Durante a sua ausência no Verão, uns canos rebentaram no seu quarto, por isso vai ser transferida. Já lhe arranjamos um quarto, ficará no 2º piso, porta 214. – Interrompeu-me, com o seu ar sempre muito emproada.

- Mas… 

- … Está aqui a chave, não se atrase para a 1ª aula. – Voltou a interromper-me esticando-me a sua mão que segurava a chave. Peguei nelas e retirei-me. Subi as escadas até ao andar de cima e procurei pela porta 214. Finalmente a encontrei, encaixei as chaves na fechadura, e ao rodá-las pude notar que já estava aberta. Entrei, reparei numa rapariga jovem, estatura média, cabelo castanho encaracolado. Ela estava agachada nas arrumações e assim que me senti-o no quarto cumprimentou-me.

- Tu deves ser a minha nova cole…

Não a deixei terminar, pousei as malas a um canto, tirei os livros e saí do quarto. Fui dar uma volta. Faltavam poucos minutos para começar a 1ª aula do 1º semestre, quando comecei a direccionar-me para a entrada da porta da sala. Notei que junto a ela estava a rapariga que tinha visto no meu quarto, á uns minutos atrás e aproximei-me dela.

- Olá, desculpa por há um bocado. Eu estava um bocado chateada e acabei por despejar em ti. – Disse-lhe envergonhada.

- Ah. – Responde espantada. – Não tem mal. Eu sou a Ana, e ao que pareceu vamos ser colegas de quarto. – Disse-me ela com um enorme sorriso, super simpática, esticando a sua mão direita para me cumprimentar. Estiquei a minha também.

- Sou a Inês. E sim, parece que sim. – Rimos. – Mais uma vez desculpa. Não era minha intenção, é que o meu quarto não era aquele e hoje quando cá cheguei fiquei um bocado chateada, mas já passou, porque tenho a sensação de que nos vamos dar bem. – Sorri-lhe.

- Espero que sim. – Disse ela.

-- (Ana) --

Voltei a olhar para a minha nova companheira de quarto: era uma rapariga de estatura média, magra e tinha compridos cabelos castanho claros. Um belo sorriso bailava-lhe no rosto, o que lhe dava um ar muito mais amigável comparativamente ao nosso primeiro encontro.

- Então – Perguntei-lhe, tentando meter conversa. – Gostas de francês?

- Comme ci comme ça. – Respondeu, bem disposta. – Porquê? É a nossa primeira aula?

Acenei com a cabeça e ela bateu com a mão na testa.

- Não me digas que vi o dia errado no horário! Que despassarada que sou!

Ri-me ligeiramente.

- Não te preocupes, sentas-te ao pé de mim se precisarmos de usar o livro. – Sorri-lhe amigavelmente e ela retribuiu.

- Merci 

Ia fazer-lhe outras perguntas para a conhecer melhor quando alguém se atirou praticamente para cima de mim.

- Bonjour, Ana! – Cumprimentou o meu amigo, no seu óptimo (ou não ahah!) sotaque.
-
 Credo, Louis, que susto me pregaste! – Exclamei eu. – O que estás aqui a fazer? Não devias estar na parte dos rapazes? E fica-te pelo inglês, conselho de amiga!

- Sempre simpática! Vim ver-te, estava cheio de saudades tuas, mas já me arrependi de cá vir. – Ele despenteou-me, eu dei-lhe um murro e começámos a rir como loucos; percebi que a Inês olhava para nós, curiosa, e apresentei-lhe o meu amigo.

- Inês, este é o Louis Tomlinson! Se não queres enlouquecer, deves manter-te a pelo menos trinta metros de distância dele; é a minha dica e eu sei do que falo, conheço-o desde que uso fraldas.

- Olha quem fala – Resmungou ele, fingindo-se de ofendido. – A única louca aqui és tu!

- A sério, Louis? – Perguntei, arregalando os olhos – Então diz-me lá qual de nós é que tem uma panca enorme pelo Super Homem?!

- Só gosto de manter a criança que vive em mim bem acordada!

Íamos continuar a discutir quando ouvimos as risadinhas discretas da Inês, que se ria, bem-disposta

- Parecem irmãos, vocês!

Olhámos um para o outro, fizemos uma careta ao mesmo tempo e rimos.

- Prazer, Inês. – O Louis estendeu-lhe a mão e ela apertou-a prontamente. – Sou o Louis. E não sou assim tão estranho como a Ana diz!  

- Não faz mal – A Inês sorriu, algo tímida – Também não sou totalmente normal. Acho, pessoalmente, que ser demasiado normal não tem piada nenhuma.

O Louis sorriu.

- Acho que nos vamos dar muitíssimo bem, então!

Puseram-se a falar animadamente, quase como já se conhecessem há anos; a química entre os dois era evidente, mas tiveram de parar quando o toque soou.

- Louis, lamento informar-te, mas tens todo um campus para atravessar antes de ires para as aulas – disse-lhe, num tom maternal – Queres começar o ano com um sermão da directora por chegares atrasado E por te escapulires para a parte feminina? 

- Oh caraças, tenho de correr mesmo – ele piscou-nos o olho – Vemo-nos depois, meninas!