quarta-feira, 9 de maio de 2012
Capítulo 2 - Primeiro dia (Parte II)
-- (Ana) --
No final da aula de francês, já sabia bastante acerca da Inês: as suas cores preferidas eram o laranja e o vermelho, delirava com gelado de morango e de manga e era louca pelo Johnny Depp. Ela era super descontraída e divertida, qualidades algo difíceis de encontrar nos colegas quando somos alunos de um Colégio Interno tão fino como Crestwood. Perguntei-me mentalmente como é que ainda não nos conhecíamos e tive pena de só a ter conhecido agora.
- Nunca te tinha visto antes. – Comentou ela, ao sairmos para o intervalo. – Mas sou tão distraída que é normal…
- Eu também não me lembro de alguma vez te ter visto. Eu só ando com o Louis e ocasionalmente com uma ou outra colega.
- Louis, o rapaz que aqui estava ainda há bocado? – Perguntou, interessada.
- Sim, esse mesmo. – Confirmei. – Conheço-o há imenso tempo e passo todo o tempo que possa com ele.
- Mesmo assim é pouco. Almoço e educação física passam a correr, não é?
- Pois é. – Sorri jocosamente. – Por isso é que nos escapamos e vamos até ao bosque de vez em quando!
A Inês arregalou os olhos e depois suspirou ligeiramente.
- Que romântico…
Fiz uma careta.
- Acredita, eu e o Louis de romântico não temos nada. Ele é tipo o meu irmão mais novo, mesmo sendo mais velho.
- É bastante simpático. – A Inês sorriu. – Não é costume nos rapazes cá do Colégio.
- Sim, simpático é. E algo louco, também, para vir até aqui tantas vezes. – Sorri. – Este ano vai ser candidato a capitão da equipa de futebol e não se calou com isso todo o verão.
- Futebol! – Exclamou a Inês, entusiasmada. – Adoro futebol! Quero entrar para a equipa feminina este ano.
- Boa sorte com isso então! – Desejei sinceramente. – Desporto não é muito comigo. Mas quero ir à audição para o Clube de Teatro.
- Uau, uma actriz! – Ela piscou-me o olho. – Très bien, três bien!
Suspirei.
- Gostava… mas há tanta gente boa… nem sei se consigo entrar…
- Vais ver que consegues! – Animou-me a Inês, sorrindo – E quando chegares a Hollywood pede um autógrafo ao Johnny por mim, está bem?
Estávamos a rir quando acidentalmente choquei com alguém. Era das miúdas mais odiosas do Colégio. A filha da directora, Katherine e a sua amiga siamesa Rebecca. Duas amigas inseparáveis, metidas, convencidas e maquiavélicas.
- Vê lá por onde é que andas. – Disse-me a Katherine com a sua voz aguda e irritante.
- Desculpa lá se não tens QI suficiente para te conseguires desviar. – Disse-lhe toda enraivecida.
Ela ergueu a sobrancelha esquerda.
- Estás a falar comigo miúda? – Questionou passando todo o seu olhar “intimidador” por mim.
- Miúda o c…. – Ia para me atirar a ela, mas a Inês puxou-me pelo braço, afastando-me dali.
- Estás doida Ana?! Estavas prestes a assinar a tua sentença de morte! – Avisou-me ela.
- Ai o quanto eu odeio aquela criatura. Grrrr…. – Dizia furiosa. – Se tu não me agarrasses eu ia-me ao bicho.
A Inês ria-se.
- Isso sei eu que ias. Mas não esquecendo que é a filha da directora, e sendo o 1º dia de aulas e começares já na directoria por agressão há menina protegida do colégio, eu acho que não seria a melhor maneira de começar o ano.
- Sim tens razão. Obrigada. Mas eu não suporto aquelas tipas!
- Eu também não. Mas á que saber ignorar.
Continuamos a caminhar, íamos na conversa até a Inês se lembrar que tinha os livros trocados de todo o dia, aproveitou o intervalo e foi no instante buscar os livros. Enquanto lhe acenava em andamento fui novamente vou contra alguém.
- OUTRA VEZ! – Gritei chateada. Assim que vi que era um rapaz fiquei super envergonhada e pedi desculpas. – Ai Desculpa. Que desastrada que eu sou. Não te vi, desculpa. – Abaixei-me e ajudei-o a apanhar uns papéis que tinham caído.
O rapaz sorriu.
- Não faz mal. – Disse ele com um sotaque Americano.
- Ihih. Tens um sotaque engraçado. És novo por cá não és?
- Sim, é o meu 1º dia, nota-se assim tanto? – Perguntou-me envergonhado.
- Um pouco. Porque estás na zona das raparigas. – Ambos começamos a rir. – Já agora, sou a Ana e já ando aqui há 4 anos, por isso o que precisares saber eu posso ajudar. – Voluntariei-me simpaticamente.
- Obrigado, é muito simpático da tua parte. Eu sou o Josh. – Estendeu-me o seu braço para me cumprimentar. – Cheguei hoje, e ando aqui meio perdido. Sabes-me dizer onde fica o pavilhão de biologia? – Perguntou-me com uma planta da escola e um horário nas mãos.
- Sei sim. – Sorri-lhe. – Antes de mais, tens de chegar há parte masculina. Despois de lá chegares, é mais fácil, é só atravessares um enorme corredor, e deves andar uns quantos metros, … - Continuei-lhe a dar a indicação. - … Percebeste?
- Acho que sim. Obrigado.
- De nada. Espero ter ajudado. E agora é melhor ires andando que ainda tens um longo caminho até há tua zona.
- Sim, muito. É melhor então. Mais uma vez obrigado.
- Sempre às ordens. – Disse vendo afastar-se.
-- (Inês) --
- Quem era? – Perguntei curiosa aparecendo-lhe por trás.
- Que susto! Já estás a pegar a mania do Louis ou quê? – Suspirou para aliviar do susto e ainda encantada com o novo rapaz.
- Oh, desculpa. Mas diz lá, quem era?
- Oh era um rapaz novo, andava perdido.
- Sim… perdido… sei. – Sorri maliciosamente.
- É sério, ele não era de cá. – Respondeu envergonhada.
- Hum… Ok. Vamos? – Perguntei-lhe.
- Sim sim.
Fomos a falar e a rir (escolhi não gozar com ela, visto que rapazes giros são a fraqueza de qualquer rapariga!) até à sala onde íamos ter História.
- História. – Resmunguei eu, antes de entrarmos na sala. – Que secaaaaaaaaaaaaa! Alguém que me salve!
- Não é assim tão mau. – Afirmou a Ana. – Eu até gosto.
Olhei para ela como se fosse um E.T.
- Como é possível ALGUÉM gostar de História?!
- Exagerada. – Ela mandou-me a língua de fora e eu ri.
- E já estou cheia de fome. – Queixei-me. – Nunca mais vem o almoço?!
- Já só falta História e Matemática. Depois lá teremos de aturar o Louis. Se quiseres almoçar connosco, claro.
Sorri discretamente, chegando à conclusão de que não me importaria nadinha de aturar o Louis.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Capítulo 1 - Primeiro Dia (Parte I)
-- (Inês) --
Estava de regresso há escola, depois de um longo e saboroso Verão. Um Verão que eu como todos os outros, eu não queria que tivesse fim. Eu adorava estar com a minha família, e aquela escola privava-me imenso dessa alegria, pois só podíamos sair em fins-de-semana e nas férias. Assim que os meus pais me deixaram na escola, despedimo-nos com um forte abraço, como sempre fazíamos, peguei nas malas e dirigi-me ao meu quarto para me instalar. Percorria eu o corredor e quanto mais me aproximava da minha porta mais barulho ouvia. Estranhei, pois às vezes parecia que a escola não tinha habitantes, ou qualquer tipo de existência de vida. Assim que cheguei há porta estava tudo sujo de pó e estavam lá uns homens com umas roupas estranhas e muitas ferramentas.
- Há, senhorita Davis, ainda bem que apareceu. – Falou-me a directora aparecendo nas minhas costas.
Voltei-me para ela.
- O que é que está a acontecer ao meu quar…
- … Durante a sua ausência no Verão, uns canos rebentaram no seu quarto, por isso vai ser transferida. Já lhe arranjamos um quarto, ficará no 2º piso, porta 214. – Interrompeu-me, com o seu ar sempre muito emproada.
- Mas…
- … Está aqui a chave, não se atrase para a 1ª aula. – Voltou a interromper-me esticando-me a sua mão que segurava a chave. Peguei nelas e retirei-me. Subi as escadas até ao andar de cima e procurei pela porta 214. Finalmente a encontrei, encaixei as chaves na fechadura, e ao rodá-las pude notar que já estava aberta. Entrei, reparei numa rapariga jovem, estatura média, cabelo castanho encaracolado. Ela estava agachada nas arrumações e assim que me senti-o no quarto cumprimentou-me.
- Tu deves ser a minha nova cole…
Não a deixei terminar, pousei as malas a um canto, tirei os livros e saí do quarto. Fui dar uma volta. Faltavam poucos minutos para começar a 1ª aula do 1º semestre, quando comecei a direccionar-me para a entrada da porta da sala. Notei que junto a ela estava a rapariga que tinha visto no meu quarto, á uns minutos atrás e aproximei-me dela.
- Olá, desculpa por há um bocado. Eu estava um bocado chateada e acabei por despejar em ti. – Disse-lhe envergonhada.
- Ah. – Responde espantada. – Não tem mal. Eu sou a Ana, e ao que pareceu vamos ser colegas de quarto. – Disse-me ela com um enorme sorriso, super simpática, esticando a sua mão direita para me cumprimentar. Estiquei a minha também.
- Sou a Inês. E sim, parece que sim. – Rimos. – Mais uma vez desculpa. Não era minha intenção, é que o meu quarto não era aquele e hoje quando cá cheguei fiquei um bocado chateada, mas já passou, porque tenho a sensação de que nos vamos dar bem. – Sorri-lhe.
- Espero que sim. – Disse ela.
-- (Ana) --
Voltei a olhar para a minha nova companheira de quarto: era uma rapariga de estatura média, magra e tinha compridos cabelos castanho claros. Um belo sorriso bailava-lhe no rosto, o que lhe dava um ar muito mais amigável comparativamente ao nosso primeiro encontro.
- Então – Perguntei-lhe, tentando meter conversa. – Gostas de francês?
- Comme ci comme ça. – Respondeu, bem disposta. – Porquê? É a nossa primeira aula?
Acenei com a cabeça e ela bateu com a mão na testa.
- Não me digas que vi o dia errado no horário! Que despassarada que sou!
Ri-me ligeiramente.
- Não te preocupes, sentas-te ao pé de mim se precisarmos de usar o livro. – Sorri-lhe amigavelmente e ela retribuiu.
- Merci
Ia fazer-lhe outras perguntas para a conhecer melhor quando alguém se atirou praticamente para cima de mim.
- Bonjour, Ana! – Cumprimentou o meu amigo, no seu óptimo (ou não ahah!) sotaque.
-
Credo, Louis, que susto me pregaste! – Exclamei eu. – O que estás aqui a fazer? Não devias estar na parte dos rapazes? E fica-te pelo inglês, conselho de amiga!
- Sempre simpática! Vim ver-te, estava cheio de saudades tuas, mas já me arrependi de cá vir. – Ele despenteou-me, eu dei-lhe um murro e começámos a rir como loucos; percebi que a Inês olhava para nós, curiosa, e apresentei-lhe o meu amigo.
- Inês, este é o Louis Tomlinson! Se não queres enlouquecer, deves manter-te a pelo menos trinta metros de distância dele; é a minha dica e eu sei do que falo, conheço-o desde que uso fraldas.
- Olha quem fala – Resmungou ele, fingindo-se de ofendido. – A única louca aqui és tu!
- A sério, Louis? – Perguntei, arregalando os olhos – Então diz-me lá qual de nós é que tem uma panca enorme pelo Super Homem?!
- Só gosto de manter a criança que vive em mim bem acordada!
Íamos continuar a discutir quando ouvimos as risadinhas discretas da Inês, que se ria, bem-disposta
- Parecem irmãos, vocês!
Olhámos um para o outro, fizemos uma careta ao mesmo tempo e rimos.
- Prazer, Inês. – O Louis estendeu-lhe a mão e ela apertou-a prontamente. – Sou o Louis. E não sou assim tão estranho como a Ana diz!
- Não faz mal – A Inês sorriu, algo tímida – Também não sou totalmente normal. Acho, pessoalmente, que ser demasiado normal não tem piada nenhuma.
O Louis sorriu.
- Acho que nos vamos dar muitíssimo bem, então!
Puseram-se a falar animadamente, quase como já se conhecessem há anos; a química entre os dois era evidente, mas tiveram de parar quando o toque soou.
- Louis, lamento informar-te, mas tens todo um campus para atravessar antes de ires para as aulas – disse-lhe, num tom maternal – Queres começar o ano com um sermão da directora por chegares atrasado E por te escapulires para a parte feminina?
- Oh caraças, tenho de correr mesmo – ele piscou-nos o olho – Vemo-nos depois, meninas!
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